MOinhos | deixa-te ir na corrente

Há lugares que nos desconcertam e desconcentram. Por mais que tentemos combater estes sentimentos, há um movimento centrifugador que nos obriga a mergulhar na sua profundidade. Melhor ainda é descobrir que, afinal de contas, isso é tão bom!

São assim estes MOinhos.

Em Setembro, são as amoras que nos acolhem. Há cachos imensos a pedir-nos para serem colhidos. A mente revindica de imediato um cestinho enquanto se enamora dos mágicos recortes entre o sol e as sombras.

O correr do rio, por mais ténue que seja, desassosega-nos e convoca-nos. Deixamo-nos levar e descemos até ele. Pelo caminho, começamos a perceber que fomos atraiçoados. Quase nada do que imaginávamos está de facto a acontecer. Nenhuma imagem vista até aí equivale ao que se encontra. Há a cada passo uma descoberta e depressa ficamos com a certeza de que não estávamos verdadeiramente preparados para ali chegar. Falta-nos bagagem, mesmo que estejamos carregados de malas.

Entre a poesia da paisagem e a crueza dos materiais que em tudo e para tudo são aproveitados, somos desarmados. Não há outro remédido senão entegarmo-nos, render-nos. E só aí, no momento em que a alma se abandona ao sereno sobressalto e se deixa surpreender em cada detalhe, só nesse instante os sentidos conseguem absorver todas as mensagens que nos estavam reservadas.

E mesmo aos mais céticos posso assegurar: este lugar é habitado por uma fada que está sempre presente, mesmo que não a cheguemos a ver.

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Margarida Brito