Açores | Ida e volta ao Paraíso

Já vimos muitas fotografias. Já vimos muitas reportagens. Achamos que já vimos e ouvimos quase tudo. Todas as descrições são deslumbrantes. Todas as imagens são impactantes. Achamos que vale a pena visitar por tudo o que nos dizem. É o que todos achamos. Era o que eu achava. E era verdade. Era tudo verdade. O que eu ainda não sabia é que tudo o que vira e ouvira nunca seria suficiente sem ver com os meus próprios olhos e percorrer caminhos pelos meus próprios pés. Por tudo isto, estas palavras e estas imagens nunca serão suficientes para quem não conhecer os Açores ou, em concreto, a Ilha de São Miguel.

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Diz-se que nos Açores podemos sentir as quatro estações num mesmo dia. É verdade. Apesar de tudo, esta viagem-descoberta, feita em Outubro, foi abençoada pelo bom tempo. Temperaturas amenas e muitas vezes de Verão, precipitação praticamente inexistente, com registos que nunca chegaram a pedir guarda-chuva, e total ausência de vento. No fundo, a sorte de uma conjugação de factores que permitiram conhecer e saborear um destino tão apetecível como deslumbrante.

Os vibrantes verdes que se distribuíam entre vales profundos e maciços cobertos da mais densa e possante vegetação. As nuances azuis do oceano, temperadas pela espuma branca das ondas que pulverizavam sal. O negro da rocha vulcânica e o amarelo sulfuroso das águas termais. Os caminhos, quase todos os caminhos, ladeados por hortenses multicolores. Vacas, milhares de vacas, pastando em liberdade, pintando o cenário com um traço ainda mais bucólico. Os cinco sentidos sempre em sobressalto, a tentar captar cada recanto, cada detalhe, cada recorte da ilha.

S. Miguel assoberbou-me pela dimensão. Não da ilha, que essa é pequenina. Num raio de cerca de 30km conhece-se toda. Mas pela escala. As montanhas, e as árvores que as habitam, fazem-nos sentir minúsculos. Estamos rodeados de mar, mas é o verde que se impõe. Depois, as inúmeras vicissitudes da paisagem. Tão depressa nos sentimos na Irlanda ou na Escócia, como na Suiça, Áustria ou Holanda ou até mesmo, pasme-se, em S. Tomé, Moçambique ou na África Equatorial. Em alguns pontos a vegetação virgem e exótica é tão densa e intensa que podemos facilmente imaginar uma cena digna de Jurassic Park.  

Qualquer descrição que se faça é redutora e uma única visita será sempre insuficiente. S. Miguel ficou gravado no meu mapa emocional. Por muitas razões.

 

Margarida Brito